Pai ausente: Filhos sem limites

          Responsabilidade e preocupação em dobro. É como Denise Andreolli, mãe de André, 8 anos, define sua jornada diária. Ela explica que criar o filho sem o marido não é tarefa das mais fáceis. “O André é muito ativo e ansioso! Mesmo sozinha, tenho procurado driblar as dificuldades dele na escola e em casa, com a cooperação da família”, conta. Segundo ela, seu filho está perdendo o afeto pelo pai, que não o procura nem nas datas mais importantes.“Quando encontramos com o pai dele na rua, peço para André ir até ele para conversar, mas o menino não quer”.
Hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) dá o direito de se pleitear em juízo a presença do pai, não só material (para o custeio de despesas), mas também afetiva (através do direito à visitação). Para um menino como André, há que se pensar em uma intervenção terapêutica que ajude essa família desfeita a prover uma presença paterna mais sólida e efetiva. Mesmo os juizados, atualmente, possuem departamentos de Psicologia para esse tipo de intervenção (quando outras soluções não surtem o efeito desejado).

          Entretanto, a Bíblia dá esperança e motivos suficientes para que mães acreditem que seus filhos – criados apenas por elas – podem se tornar grandes homens. Um exemplo está no livro de Provérbios, que traz uma importante declaração sobre a vida de Lemuel: “Palavras do rei Lemuel, de Massá, as quais lhe ensinou sua mãe” (Pv 31.1). Não se sabe se ela criou Lemuel sozinha, mas o texto enaltece a figura da mãe como influência positiva na vida desse rei.

          Segundo Sérgio Nick, psicanalista e especialista em Direito Especial da Criança e do Adolescente, a grande questão é analisar como essas mães puderam tornar seus filhos “grandes homens” na ausência do pai. Em seu trabalho sobre a função paterna, Nick destaca que o grande problema é quando os pais estão em litígio e existe uma grande desvalorização do pai por parte da mãe e de outros em torno. “Quando a mãe, afastada do marido, consegue manter uma imagem positiva do pai para seu filho, isso se reflete na criança como uma possibilidade de construir dentro de si uma figura idealizada de seu pai. É essa imagem que irá constituir a base da auto-estima e do amor próprio da criança e do adulto no futuro”, explica.
  Em seu livro, Antônio Lazarini explica que no Antigo Testamento a figura paterna também era importante porque as palavras que saíam da boca de um pai eram de suma importância e proviam direção e segurança futura para o filho


A ESTRUTURA FAMILIAR NÃO É MAIS A MESMA Diante de famílias que sofrem com o divórcio, mortes, doenças, o que fazer? Os filhos acabam, não raro, sendo submetidos aos cuidados ou leis de mais de uma mãe e ou de mais de um pai, cujas regras precisam estar em constante negociação entre os adultos que compõem a família. No caso de pais separados, os filhos terminam tendo duas casas, cada qual com suas regras, e se a separação for litigiosa, pais acabam usando os filhos para afetarem um ao outro e, com isso, falham no cumprimento das funções básicas da família.
Outra situação bastante comum é quando o pai está presente no casamento e todos os dias em casa, mas é absolutamente ausente. Seja porque não se interessa pela dinâmica cotidiana da família, seja porque não consegue representar a função paterna. Por quê? Existem várias possibilidades. Falta de compromisso, imaturidade, fraqueza diante de mães muito fortes que sufocam os filhos e o marido e o desejo de parecer mais jovem são algumas delas.


fontes:http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=78&materia=948

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